Thursday, March 06, 2008

A DÍVIDA EXTERNA ACABOU. ACABOU?

A DÍVIDA INTERNA COLOSSAL PASSOU A OFUSCAR A EXTERNA
(Resumo: o Brasil deve e paga juros mais que nunca)

O governo vem alardeando que o Brasil não deve mais. Que o Brasil não tem mais dívida externa. E finalmente que o Brasil agora é credor. O curioso neste argumento não é o que ele revela mas sim, como em todo argumento ideológico, o que ele esconde.

E ele esconde coisas do tipo: em janeiro deste ano de 2008, o governo pagou de juros da dívida interna 13,4 bilhões de reais (mais do que o gasto com o Bolsa Família em 2007; em outra comparação: é mais do que o previsto para Educação em 2008). Em 2007 o governo gastou 160 bilhões de reais só com juros da dívida pública. Em 2009 serão mais. Muito mais do que dez Bolsas Família serão pagos a credores do Estado.
Credores? Mas o Brasil não deixou de ser credor? O Correio Brazilienze não estampou na manchete de capa que agora ´quem deve ao Brasil são os gringos´? Lula, Batista Nogueira Jr, Zé Dirceu e toda a imprensa chapa-branca não estão dizendo que estamos diante do fato histórico do fim da dívida externa?

Sim. Estamos diante de um fato histórico mas não exatamente o fato histórico que Lula alardeia. O fato histórico é que o Brasil acaba de trocar sua dívida externa por dívida interna. Até o osso. Ou melhor: a dívida interna superou a externa. Basicamente isto.

O mecanismo de espoliação e de dependência do capital imperialista é mais sufocante que nunca. As perdas, o entreguismo, a internacionalização da economia colossais, sem precedentes. Os credores agora torram seus dólares em reais, estão ganhando mais aqui dentro. Ganham mais com a dívida interna do que com a externa.

Em janeiro deste ano a dívida pública total, somando a interna e a externa, estava em 1,311 trilhão de reais. Em 2008 vencem 400 bilhões de reais em títulos da dívida total. A dívida interna tornou-se o devorador-mor das economias brasileiras.

Por que esta metamorfose ? Porque o Brasil oferece, para a dívida interna, juros que estão entre os mais altos do mundo, e com o dólar artificialmente fortalecido é mais vantagem para os gringos e os não-gringos converter dólar em real e mamar os juros da dívida interna. Assim cresce o colchão das tão incensadas reservas do governo (não apenas por este mecanismo mas também pelas vendas de commodities, pelos cortes orçamentários e pelo capital imperialista que entra aqui sem pagar imposto de renda).

E esse colchão de dólares (180 bi de dólares no final de janeiro de 2008)? É outra enganação. Ele é rigorosamente volátil. Pode ir embora na primeira crise internacional. Ele é pouco mais que uma garantia que o governo vassalo oferece para todo dólar que venha para cá em forma de capital: venha que nós garantimos sua saída - mais gordo -, temos reservas. Tais reservas não significam que a sangria internacional diminuiu. Ao contrário: elas são o retrato de quanto cresceu a sangria (o governo está oferecendo aos títulos da dívida interna juros de 12,8% ao ano). Por isso só em um mês (janeiro 2008) foi embora um montante maior do que o gasto anual com o Bolsa Família.

O ufanismo do governo (não somos devedores), além de ideológico, visa seduzir os investidores internacionais para que não fujam em meio à crise internacional que ameaça instalar-se de vez. É discurso vassalo. É farsa de quem trocou a dívida externa por dívida interna apenas porque através desta ofereceu mais vantagens para o cassino do capital financeiro internacional. Nada de novo.

Aliás, o novo é que nossa linguagem tem que mudar: dívida pública. Pelo não-pagamento da dívida pública, o que inclui as duas, a externa (que é enorme) a qual, somada à interna vai em escalada para 1,5 trilhão de reais (de dezembro passado para janeiro, para que se tenha uma idéia, cresceu em mais de 200 bilhões de reais). Resumo: a nação tapuia, graças à elite burguesa cabocla, continua nas mãos do grande capital agiota.

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