IGREJA, CÉLULAS-TRONCO E GENOCÍDIO

IGREJA E GENOCÍDIO AFRICANO: O CASO DAS CÉLULAS-TRONCO
Células-tronco: Igreja versus Estado laico. Em uma primeira aproximação do problema da queda de braço da Igreja contra a ciência (pesquisa com células-tronco embrionárias), não custa dar razão ao líder do Paralamas quando diz, da sua cadeira de rodas, que é criminoso condenar pessoas à desesperança, ao se proibir – como pretende a Igreja -, a esperança despertada por esse tipo de pesquisa.
Ele até foi suave ao não usar termos como dogmatismo e obscurantismo medievais em pleno século XXI.
Igreja dando palpite em ciência? Religião se intrometendo em pesquisa médica? Se fossemos depender dos ‘argumentos’ da religião, o Sol estaria girando em torno da Terra até hoje. Mulher seria um ser de segunda categoria. E ninguém usaria camisinha. E coisas no estilo. No caso das células-tronco, a Igreja – aliás, as igrejas, já que se trata de todas elas – prefere que os laboratórios de reprodução assistida joguem “a vida” na lata de lixo. Como assim? Ora, se os embriões de poucos dias que estão nos bancos dessas clínicas não forem usados em pesquisas, eles irão para o lixo, todo mundo sabe disso, os guardiães da fé sabem disso.
O presidente da Associação Parkinson de Brasília, Carlos Patto, foi mais direto ao argumentar que a Igreja “é uma instituição amplamente envolvida em genocídios no passado e que continua até hoje. Veja que milhões morrem na África por causa da AIDS e a Igreja condena o uso da camisinha; ao defender o fim das pesquisas, indiretamente a instituição está negando a vida para um monte de gente que está morrendo”. Dá para discordar?
Pode-se acrescentar: o Estado é laico ou não é laico? Argumento religioso conduzindo questões de Estado, Igreja como protagonista principal de um debate científico-político: dá para acreditar? É o cheiro de Idade Média pesando sobre nós como uma peste. A revolução burguesa ainda não chegou por aqui. As células embrionárias têm que ir para a lata de lixo, mas não podem ser usadas em pesquisa que ajudem a salvar vidas: pode-se ser mais grotesco, inadequado e obscurantista?
Mudando de assunto: onde andava a Igreja enquanto Pinochet executava seu genocídio contra o povo chileno, enquanto Videla executava milhares de argentinos, enquanto Hitler massacrava milhões? Protestou? Fez campanha contra? Entrou com alguma ação de inconstitucionalidade? Vade retro!
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Células-tronco: Igreja versus Estado laico. Em uma primeira aproximação do problema da queda de braço da Igreja contra a ciência (pesquisa com células-tronco embrionárias), não custa dar razão ao líder do Paralamas quando diz, da sua cadeira de rodas, que é criminoso condenar pessoas à desesperança, ao se proibir – como pretende a Igreja -, a esperança despertada por esse tipo de pesquisa.
Ele até foi suave ao não usar termos como dogmatismo e obscurantismo medievais em pleno século XXI.
Igreja dando palpite em ciência? Religião se intrometendo em pesquisa médica? Se fossemos depender dos ‘argumentos’ da religião, o Sol estaria girando em torno da Terra até hoje. Mulher seria um ser de segunda categoria. E ninguém usaria camisinha. E coisas no estilo. No caso das células-tronco, a Igreja – aliás, as igrejas, já que se trata de todas elas – prefere que os laboratórios de reprodução assistida joguem “a vida” na lata de lixo. Como assim? Ora, se os embriões de poucos dias que estão nos bancos dessas clínicas não forem usados em pesquisas, eles irão para o lixo, todo mundo sabe disso, os guardiães da fé sabem disso.
O presidente da Associação Parkinson de Brasília, Carlos Patto, foi mais direto ao argumentar que a Igreja “é uma instituição amplamente envolvida em genocídios no passado e que continua até hoje. Veja que milhões morrem na África por causa da AIDS e a Igreja condena o uso da camisinha; ao defender o fim das pesquisas, indiretamente a instituição está negando a vida para um monte de gente que está morrendo”. Dá para discordar?
Pode-se acrescentar: o Estado é laico ou não é laico? Argumento religioso conduzindo questões de Estado, Igreja como protagonista principal de um debate científico-político: dá para acreditar? É o cheiro de Idade Média pesando sobre nós como uma peste. A revolução burguesa ainda não chegou por aqui. As células embrionárias têm que ir para a lata de lixo, mas não podem ser usadas em pesquisa que ajudem a salvar vidas: pode-se ser mais grotesco, inadequado e obscurantista?
Mudando de assunto: onde andava a Igreja enquanto Pinochet executava seu genocídio contra o povo chileno, enquanto Videla executava milhares de argentinos, enquanto Hitler massacrava milhões? Protestou? Fez campanha contra? Entrou com alguma ação de inconstitucionalidade? Vade retro!
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