Tuesday, April 01, 2008

O dólar pode não sair ileso da crise



"Enquanto a atenção mundial está focalizada no "subprime", menos atenção está sendo dada a uma desorganização financeira de maior severidade, cujos fundamentos já existem e se aceleram com a crise "subprime". Desde 1971, quando os EUA se retiraram do padrão ouro estabelecido desde Bretton Woods e criaram o "padrão dólar", a expansão do volume de dólar emitido ficou somente limitada pela confiança que o mundo deposita na economia americana.


Ainda é o dólar a moeda internacional, aquela em que todas as riquezas das nações do mundo estão depositadas e em que a quase totalidade do comércio mundial e das transações financeiras internacionais se fazem.


Porém, a debilidade atual da economia americana e a condução de sua política econômica, o consumo desenfreado, o baixo índice de poupança e o déficit externo gigantesco fazem com que o valor dessa moeda despenque. A queda causa perdas expressivas na maioria das nações, que ainda mantêm as reservas em dólar. A China viu o yuan valorizado quase 14% nos últimos 14 meses. A perda para o país, com reservas de mais de US$ 1,5 trilhão, é monumental. A moeda brasileira, que mais se valorizou, embora com um volume menor de reservas, teve, proporcionalmente, um prejuízo ainda maior. A Opep ora debate se continua aceitando o dólar como pagamento. O preço atual exagerado do petróleo embutiu um componente de ajuste pela perda do valor do dólar. (...)


Estamos diante da possível desestruturação do sistema financeiro mundial, com o desacoplamento do dólar como moeda internacional e de reserva das nações. O maior produto de exportação dos EUA tem sido um papel moeda impresso com qualquer valor desejado. O mundo se inundou com esse produto em muito maior volume do que qualquer commodity ou bem de consumo. Atualmente, a dívida externa americana se aproxima de US$ 4 trilhões, cerca de 30% do seu PIB". Estas são reflexões importantes do Charles Tang, do I.F.Braudel de Economia Mundial, na Folha de São Paulo de 22/3/08

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