Israel: as armas do holocausto contra o povo palestino
Ser bárbaro é arrancar e negar ao outro sua humanidade (T. Todorov)
A heróica resistência palestina não conta com um único helicóptero ou qualquer tanque de guerra que seja para enfrentar a avassaladora e desproporcional máquina bélica de Israel. No entanto resistem heroicamente – sua causa é completamente justa - e após três semanas infernais com o massacre implacável de mais de mil palestinos (maioria civis e crianças), as milícias do Hamas continuam oferecendo combate às tropas do Estado sionista. A despeito de não contarem com os mísseis, aviões e as bombas arrasa-quarteirão de Israel, seus foguetes precários e de curto alcance continuam sendo lançados contra o território inimigo.
Os crimes de guerra do Estado terrorista de Israel merecem o repúdio de todas as massas do mundo, assim como também é importante mobilizar contra a cumplicidade e passividade militar e política das burguesias árabes (e da ONU, da U. E, dos governos ditos democráticos) que, com essa duplicidade ou conivência terminam sendo ponto de apoio objetivo para o genocídio. Os quase 1,5 milhões de habitantes de Gaza, que já sobreviviam precariamente sob bloqueio econômico de Israel hoje amargam toneladas de bombas sobre suas cabeças enquanto “civis estão sendo assassinados em números imensos e trabalhadores humanitários que tentam ajudar os moribundos são alvejados” segundo a própria ONU (através de sua agência para refugiados palestinos, a UNRWA pela sigla em inglês) denunciou.
Não se trata de “apenas uma reação desproporcional” de Israel como tem dito o governo brasileiro (o chanceler Celso Amorim). São crimes de guerra, de holocausto étnico e a política de Lula é a de complacência com os criminosos (política aliás previsível já que, em pleno acordo com os Estados Unidos, Lula mantém tropas de ocupação no Haiti).
Como mais uma expressão macabra de todo esse quadro, neste momento se ampliam as denúncias de que Israel, além do permanente e intenso bombardeio a escolas, edifícios habitacionais, comboios de ajuda e cemitérios (com corpos voando para o telhado e quintais das casas vizinhas), e do uso das terríveis bombas de fragmentação contra uma das regiões mais densamente povoadas do mundo, tem recorrido a recursos de genocídio, de limpeza étnica formalmente proibidos pelas leis internacionais de guerra: fósforo branco, napalm e armas nucleares de baixa intensidade (balas de urânio radioativo).
O jornal conservador britânico Times (Chris Floyd, 8-1-2009) informou que o exército de Israel está utilizando projéteis que contêm napalm e fósforo branco contra as populações de Gaza, substâncias que provocam chamas que não se apagam e queimaduras mortais. Ao mesmo tempo, denúncias publicadas no Canadá, de vários médicos noruegueses presentes em Gaza, afirmam terem encontrado vítimas civis contaminadas com urânio empobrecido (11-01-09, Uruknet.Info). O uso de tais armamentos – balas, ojivas ou mísseis revestidos com urânio radioativo capazes de cortar a mais grossa blindagem –, portando armas nucleares de baixa intensidade, é revelador da conduta de Israel como Estado terrorista e desmascara a farsa de “evitar baixas civis” ou “combater” o terrorismo. Se lançar bombas e projeteis de fósforo banco, napalm, que queimam a carne até alcançar o osso, e lançar balas e projéteis radioativos não for terrorismo bestial de Estado, o que mais pode ser? Quem é o terrorista nessa história onde um povo invadido e expulso de sua terra, depois explorado como mão de obra barata é exterminado e torturado, dia após dia, em um gueto que guarda toda semelhança com uma grande Guantanamo?
A OTAN já tinha usado tais armas de extermínio e de efeitos radioativos indiscriminado contra povos da Iugoslávia, os Estados Unidos também no Iraque. Com tais métodos, o Estado sionista (que foi criado artificialmente – dentro dos marcos colonialistas – pelo imperialismo norte-americano há 60 anos com base na expulsão violenta de quase 1 milhão de palestinos dos seus lares) está anunciando a todo o mundo, através do sangue de inocentes e de seus crimes de guerra, a sua natureza e a sua função puramente contra-revolucionária naquela região.
Além da necessária mobilização de apoio incondicional à luta das massas palestinas e do Hamas contra o Estado colonialista de Israel e todos os governos cúmplices, é importante denunciar que Israel não respeita sequer a eleição democrática do Hamas, a vontade das massas palestinas de Gaza e com sua política deliberada de impor privações e horrores de guerra a uma população civil rompe com todo padrão de humanidade. Com aval e total apoio bélico, econômico e político do imperialismo norte-americano. É preciso mobilizar contra e defender a revolução das massas árabes contra governos e burguesias que temem mais ao seu povo do que a Israel, começando por todo apoio aos combatentes e ao povo palestino.
Gilson Dantas 16.1.9

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