Wednesday, April 02, 2008

Iraque e decadência americana


1. A invasão do Iraque é um signo da época imperialista, tem a ver com a disputa inter-imperialista Estados Unidos-Europa-Japão (pelo óleo, por presença imperial geopolítica etc), mas também faz parte da política de recrudescimento dos gastos militares como “saída” ou contra-tendência do sistema capitalista à crise.

A economia dos Estados Unidos depende dos gastos bélicos e necessita da guerra.
Se, ao mesmo tempo, nada disso retira o sistema de sua crise de acumulação do capital, então estamos diante da evidência - tomando historicamente, no longo prazo - da sua decrepitude, de falta de vitalidade como sistema.

Revela-se aqui, por outro lado, o quanto a resistência social (caso do Iraque) e, principalmente, a ofensiva anticapitalista de massa tem potencial para varrer o capitalismo da história. O Iraque virou um atoleiro americano, 2007 foi um dos anos de mais intenso bombardeio. E a contra-insurgência – por mais dividida e cega que seja – não dá trégua.

2 . Uma das dimensões da crise de decadência do capital é que concentra uma colossal massa de capitais na potência imperialista de primeira ordem e que não encontram aplicação rentável, não conseguem a rentabilidade para sua reprodução.

Fluir para a especulação financeira tem sido uma de suas saídas mais visíveis.
A volatilidade e a instabilidade dessa esfera são o primeiro problema óbvio que se apresenta.
No entanto, o nó, tomando o sistema de conjunto, é que naquela esfera da especulação não se gera riqueza real. Ou por outra, a própria especulação tem que puncionar a produção, tem que, em dado momento do seu movimento, apropriar-se de riqueza real. Dinheiro não gera riqueza. Só o trabalho vivo gera riqueza. E o sistema capitalista desmoronaria se, hipoteticamente, tentasse viver de ganhos fictícios, especulativos.

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