Saturday, August 09, 2008

Argentina e Brasil: lá como cá, a exploraçao do trabalho rural



A VERDADEIRA CARA DA PATRONAL AGRÁRIA NA ARGENTINA

A luta pelo fim do trabalho negro no alho e das ´cooperativas fraudulentas´ na Argentina

No inverno a vida dos trabalhadores do setor agrícola do alho é particularmente sofrida, na Argentina. Em Mendoza encontra-se a mais importante produção de alho da Argentina. Ali as patronais agrárias praticam o trabalho negro, super-precarizado. Os trabalhadores do alho pretendem formar seu sindicato. O governo reagiu violentamente contra, quer mante-los em cooperativas fraudulentas baseadas no trabalho escravo. O sindicato operário ceramista e os operários de Zanon tiraram declaração de apoio. Abaixo os testemunhos de trabalhadores do alho:


LUCHEMOS CONTRA EL TRABAJO EN NEGRO Y LAS MUERTES OBRERAS

Mendoza: el sindicato de los Trabajadores del Ajo

Testimonios
“Con nuestro trabajo se hacen millonarios”
La producción rural de Mendoza hace que Argentina sea el segundo país exportador de ajos del mundo. Bajo el azote directo del sol, sobre el barro, sin agua, con miedo de no sacar el dinero necesario para llevar a la casa. Pero apenas un puñado de empresarios, dueños de menos de 100 galpones habilitados en Mendoza, puede contar en sus manos que solamente en 2007 vendieron ajos al exterior por 73 millones de dólares.
La fría verdad es que nadie “nos da trabajo”. Nosotros le damos nuestro trabajo a estos señores, y con él se hacen millonarios. A cambio nosotros, y nuestros hijos, debemos sobrevivir el invierno con enormes sacrificios.
En el campo, la enorme mayoría de los trabajadores está en negro. Nosotros sufrimos el fraude de cooperativas ilegales que las empresas usan para quitarnos todos nuestros derechos laborales.
Casi siempre nuestros hijos deben crecer a nuestro lado mientras trabajamos, porque en las empresas no hay guarderías donde dejarlos. Cuando sus manos pueden empezar a tomar un tijera, tenemos dos opciones: o las usan para curtirse en el mundo del trabajo, o dejarlo en la casa quedando expuestos a la marginalidad de la calle. La explotación infantil es una parte fundamental de la ganancia patronal. Con esto, garantizan que nuestros niños crezcan como nosotros y nuestros padres: como esclavos.
“Decidimos levantar la cabeza por primera vez”
Nos han metido en la cabeza que “uno debe meterse en lo suyo”, que “hay que cuidar el trabajo” y “pensar nada más que en tu familia”. Repetimos estas ideas para consolarnos, pero son un veneno que sólo sirve para que no nos demos cuenta de lo necesario que es lograr la unidad (…)
En Campo Grande, tan sólo 500 obreras y obreros, decidimos levantar la cabeza por primera vez.(…) Las bestias de la policía, enviadas por el Gobierno y bajo las órdenes de la Fiscal Giner, nos golpearon tan fuerte que Carlos Erazo (…) enfermó gravemente hasta morir pobre ¿Nos derrotaron? No, a pesar de tantos golpes, engaños y errores, logramos que reincorporaran a los delegados que persistieron durante meses para volver. La empresa y la cooperativa, buscando calmar el reclamo, tuvo que aumentar el precio de la caja (…), pagar los nacimientos, algunos feriados, iniciar un proyecto de guardería.
Los empresarios del campo que hacen el lock out y desabastecen a nivel nacional, y que hicieron el “tractorazo” en Mendoza encabezados por la Cámara de Productores y Exportadores de Ajo, buscan más millones en sus ganancias, mientras nos someten a trabajar como esclavos. El Gobierno mientras que nos dio la espalda durante toda la lucha, se reunió con ellos esta semana para regalarles subsidios millonarios.
“Lo que podríamos hacer si nos pusiéramos de pie”
¿Entonces, es como dicen muchos: “contra estos tipos no se puede hacer nada”? No, ellos mismos tienen un gran temor de que se despierten los trabajadores. Tan sólo 6 (seis) de estas “cooperativas” reúnen 27.000 (veintisiete mil) empleados. Colonia Barraquero tiene 17.000 empleados en el país. Si 500 empleados de una empresa, pudimos hacer esto ¿qué podríamos hacer si nos pusiéramos de pie los miles y miles de obreros esclavizados por un puñadito de empresarios y seis jefes de estas “cooperativas”?
“Construir un sindicato que sea de los trabajadores”
Buscamos construir un sindicato que sea de los trabajadores. Por eso queremos que su principio y forma de organizarse y decidir sea la Asamblea democrática y soberana.
Queremos terminar con las divisiones entre obreros “paisanos” y “de acá”. Porque sabemos que los trabajadores no tenemos fronteras. Al contrario, queremos sumar lo mejor de estas tradiciones y experiencias. No aceptaremos discriminaciones de credo, sociales, políticas o de género (…) promovemos una unidad efectiva entre hermanos de una misma clase trabajadora, para defender y conquistar nuestros derechos económicos y sociales (…) los plenos derechos de la mujer trabajadora que es doblemente oprimida.
Queremos que sea (…) independiente de cualquier injerencia del gobierno y las organizaciones patronales. Que busque el progreso de la sociedad, con el fin de la explotación del hombre por el hombre.”
[Depoimentos publicados no jornal La Verdad Obrera Nº 285 /
Jueves 10 de julio de 2008 ]

*****

ARGENTINA HOJE: campo contra indústria?


ARGENTINA

No conflito entre a patronal agrária e o governo Kirchner: nem a favor de um e nem do outro. Por uma terceira posição.

O conflito entre o governo e a patronal agrária argentina já dura mais de três meses, e marca o fim da lua-de-mel entre os setores burgueses e o governo, que havia primado nos mandatos anteriores de Nestor Kirchner, abrindo uma importante crise política, agora transposta das ruas para o Congresso. Esta crise se iniciou com o pacote de medidas que o governo tentou aprovar, de aumento das retenciones, medida que desagradou os setores patronais do campo, que querem seguir acumulando a renda diferencial [1], já que as exportações agrícolas são responsáveis por 50% de todas as exportações argentinas.
O governo quer se apropriar de parte desta renda que acumula e redistribuí-los, não à classe trabalhadora e ao povo, mas a outros setores da burguesia. Assim é que as retenciones seriam utilizadas pelo governo de Cristina Kirchner para políticas como o favorecimento da patronal industrial, ou dos transportes, através do pagamento de subsídios, além do pagamento da dívida externa que favoreceria diretamente o imperialismo.
Por outro lado, a participação de setores da classe média e de pequenos proprietários agrários em paralisações e atos contra o governo não deve dar margens para confundir estas ações com manifestações populares antigovernistas por demandas democráticas, ou de trabalhadores em defesa de seus direitos e por melhoria em suas condições de vida, que como tal teriam que ser apoiadas e impulsionadas pela esquerda. Neste caso as manifestações contra o governo se dão sob o programa e a direção da patronal do campo, que conseguiu hegemonizar os produtores de menor peso, organizados na Federação Agrária (...)
A única conclusão possível frente a esta situação é que haveria que forjar uma terceira posição independente tanto da patronal do campo quanto do governo, que desmascarasse tanto a demagogia Kirchnerista e de seus apoiadores, como a burocracia da CGT de Hugo Mojano e dos piqueteiros oficialistas. De que haveria que controlar o lucro da Sociedade Rural, e desmascarar o cinismo da oligarquia de passar como portador dos interesses dos pequenos produtores do campo. Ficar ao lado de um dos setores burgueses enfrentados é na prática a renúncia a levantar uma política de independência de classe. Foi partindo desta premissa que em março o PTS impulsionou um importante ato contra o governo e a oposição burguesa, que contou com a presença de outras organizações da esquerda como o PO (Partido Obrero) e o MAS. Entretanto, enquanto o PTS continuou lutando por uma posição independente, o PO “passou a tentar pactuar para o 1º de Maio com o MST e o PCR, que militam no bando da patronal rural. Assim, impediu um ato na Praça de Maio com uma posição independente dos trabalhadores. (...) Apesar de se manter formalmente na ‘terceira posição’ (...) votou contra a declaração ‘Nem com o governo, nem com as patronais do campo’”.
(...)
Campanha de assinaturas
Já são mais de 500 assinaturas de intelectuais, docentes, jornalistas e trabalhadores da cultura, estudantes e trabalhadores que integram a campanha por uma terceira posição. Na declaração apresentada pela campanha, os aderentes denunciam “É falso que este governo está confrontado com ‘os interesses econômicos mais concentrados’ (...) Ao contrário, os Kirchner os têm favorecido em seus quase cinco anos de governo. Ou o petróleo não segue nas mãos da Repsol e de um punhado de empresas mais? (..) Ou os grandes industriais hoje beneficiados com o favor oficial não foram tão golpistas quanto a oligarquia agrária? (...) Ou a terra não segue concentrada em 4.000 grandes proprietários agrários que possuem 85 milhões de hectares, pelas quais pagam impostos miseráveis? Ou 40% da produção de soja não está concentrada em 2,2% dos produtores? Ou não é um fato que cinco grandes empresas (...) concentram a quase totalidade da exportação de grãos que ultrapassam os 3 bilhões de dólares?”.
E em seguida completam “os que aderimos a esta declaração cremos que é necessário sustentar uma clara posição independente destes dois blocos capitalistas (...) Estamos pela nacionalização da grande propriedade agrária, das grandes exportadoras e dos portos privados; pelo não pagamento da dívida externa e nacionalização sob controle dos trabalhadores dos bancos e do comércio exterior. Estas medidas permitiriam acabar com a oligarquia e o espólio das multinacionais e do capital financeiro que fica com a maior parte das exportações agrárias. (...) É preciso que os trabalhadores levantem suas demandas, a começar pelas mais imediatas: aumento de emergência para todos os trabalhadores, salário mínimo equivalente ao custo de uma família, aumento automático dos salários de acordo com o aumento da inflação”.
[Neste excerto está concentrada a posição política do PTS que, na nossa ótica, adotou o posicionamento político mais correto ante a crise]

[1] Por renda diferencial entende-se o volume de renda recebido pelos proprietários de terras de boa qualidade, cujo cultivo necessita de menos investimento e insumos que as terras de má qualidade, mas que recebem o mesmo valor pago pelas mercadorias agrícolas produzidas em qualquer tipo de terra, já que o preço das matérias-primas é fixado internacionalmente e tem como base os custos de cultivo das piores terras. Quando há um aumento da demanda de matérias-primas os agricultores são obrigados a produzir em terras de pior qualidade, o que também pressiona os preços das matérias-primas para cima. Aos proprietários das terras de melhor qualidade acabam detendo assim um excedente, que é a renda diferencial (Para uma discussão mais aprofundada ver “Suplemento Renta y Ganancia – Dos formas de robo capitalista” em www.pts.org.ar)