Monday, March 31, 2008

UM ESTADO MILITARISTA: COM REAGAN, CLINTON, BUSH, REPUBLICANOS OU DEMOCRATAS


A era Reagan, os mandatos Clinton e agora o esforço de guerra de W. Bush se inscrevem numa tentativa continuada do poder norte-americano de retomar seu crescimento econômico, de contra-restar o processo recessivo instalado naqueles meados dos anos 70. São tentativas de reencontrar algo parecido com o crescimento do pós-Guerra.

Essa ofensiva chamada por alguns de neoliberal teve – e tem – como marcas essenciais o aumento da taxa de exploração do trabalho e a hegemonização do conjunto da economia pelo capital especulativo, onde os Estados Unidos assumem o papel central de Estado rentista em ação predatória em favor da mundialização do capital financeiro privado. Falências como a da Enron, guerras como a do Afeganistão e a invasão do Iraque, são marcas típicas desse processo: revelam uma unidade tipicamente imperialista entre a ação militar e os processos econômicos.
O máximo que conseguiram, nesse empreitada foram os anos de relativo crescimento na década de 90, no bojo da chamada nova economia, Ainda assim, ocorreu, antes, o crack da bolsa de 1987 que somente não alcançou a profundidade da quebra de 1929 por conta da intervenção do Banco Central liberando crédito.

E em 1997 explodiu a chamada crise asiática. Junto com isso: maciças injeções de gastos públicos para a Guerra do Golfo de 1991 onde os Estados Unidos assumiam abertamente um novo papel, encerrando a bipolaridade típica das décadas anteriores.

Em meio a essa dinâmica se desenvolveram as quebras de grandes conglomerados como Enron e WorldCom. Entre ameaças de crack e artificialismos financeiros, vem navegando uma economia que passa pela ofensiva contra os direitos trabalhistas e o aumento dos gastos públicos. O problema para o imperialismo é que nada disso tem significado expansão, sustentada, e o máximo que conseguiram alcançar na agenda dos Estados Unidos foi um imbricamento e uma convergência maiores que nunca entre crise, militarismo e guerras.

Ge Dantas

Monday, March 24, 2008

Quebras e quebras


O fundo de investimentos Carlyle Capital teve rombo de 16 bi de dólares: foi fatal para o quinto maior banco dos EUA, o Bear Stearns, que faliu uma semana depois (e foi comprado pelo JP Morgan por 7% do seu valor de mercado e com ajuda do Fed para a compra: dos 236 milhões da compra, o governo entrou com 30). Faliu e foi praticamente doado ao Morgan.
O banco suíço UBS viu suas ações desvalorizadas em 14% e anunciou demissão de 6 mil trabalhadores. A mais grave crise financeira desde a II Guerra, segundo o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan.

Ge Dantas

Sunday, March 23, 2008

PARA O FMI, A CRISE VEIO PARA DURAR


PARA O FMI: A CRISE VEIO PARA DURAR

A afirmação peremptória veio do chefe do FMI, Dominique Strauss-Kahn, dia 17/3 último: a crise “vai durar bastante tempo”, e terá “graves conseqüências”, acrescentando em seguida que num primeiro momento, a tempestade atinge os Estados Unidos e a Europa, mas é uma questão de tempo para também afetar os emergentes (Carta Capital, 26/3/8). O fundo financeiro Carlyle Capital Corporation quebrou em 13/3 – o quinto banco inglês, o Northern Rock, tinha falido já em 18/2 – por conta de dívidas 32 vezes superiores ao seu patrimônio. O banco de investimentos JP Morgan Chase comprou seu rival, o Bear Stearns por 7% do seu valor de mercado com apoio financeiro do Fed. No meio da crise, ação entre amigos.

A política do Banco Central americano tem sido de baixar os juros (o custo do dinheiro já anda negativo em relação à inflação) para facilitar o socorro aos bancos comerciais em ameaça de crise e, ao mesmo tempo, adotar uma espécie de Proer seletivo para ir neutralizando títulos podres no mercado. O sistema financeiro tenta se salvar socorrendo-se do Estado norte-americano, Estado que não é um saco sem fundo: em fevereiro amargou um déficit orçamentário recorde (175 bilhões de dólares).

Já se fala em ajuda do FMI (que socorreu a Ásia em quebra em 1997: com 56 bilhões de dólares à Coréia, 40 bilhões à Indonésia, 17 bilhões à Tailândia, além dos 18 bi de dólares ao Brasil em 1998). O grande capital tenta evitar a UTI de uma grande depressão, consciente das suas conseqüências em termos de riscos de um caos social pelos quatro cantos do planeta.

De toda forma, acumulam-se os sintomas de uma grave crise. As declarações agora em março do ex-chefe do Fed norte-americano (Greenspan) foram sombrias. E o ouro, grande refúgio da insegurança geral, bateu o recorde de cotação (a onça troy de ouro superou os mil dólares) o que, nominalmente, significa o seu maior preço desde que Nixon, em 1971, abandonou a conversibilidade do dólar-ouro, portanto, estamos diante da maior cotação em quase 40 anos. O ouro será o último ativo a ser atacado pela crise. No entanto, além de ser um sinal da gravidade da própria crise, a corrida ao ouro terá conseqüências graves sobre a economia (exemplo: agrava deflação). A isso tudo é preciso juntar ameaça inflacionária na China e queda do desemprego nos Estados Unidos. É aguardar para ver.

A ilusão dos agentes do sistema é a mesma de antes: a intervenção salvadora com dinheiro público alimenta a crença de que as turbulências da acumulação especulativa estarão sempre a salvo de perdas totais ou desestabilização plena do sistema, as eventuais crises são momentâneas, não passam de oportunidades para os mais fortes. Essa é sua verdade e sua crença.


Esta verdade imediata, conjuntural – e não válida para toda conjuntura até porque existe o mundo tensionado da relação entre as classes sociais que explode aqui e ali –, mesmo no plano econômico, tende a esfumar-se no longo prazo. O descolamento entre especulação e economia produtiva tem um limite real, para além de qualquer intervenção salvadora dos bancos centrais.

Ge Dantas

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CHINA E ÍNDIA FRENTE À CRISE NORTE-AMERICANA




21-3-8 China e Índia serão impactadas por uma recessão americana

A entrada da economia norte-americana em recessão terá impacto sobre a China e a Índia. Duas razões fortes (embora existam outras): o crescimento da economia norte-americana está fundamentalmente baseado em consumo, consumo desenfreado enquanto que o crescimento chinês se fundamenta principalmente em investimentos externos (na produção têxtil, madeireira, de eletrodomésticos, eletrônicos, químicos) e o crescimento da Índia, por seu lado, está também baseado em sub-contratação de serviços aos países industrializados.

Ou seja, mesmo a China tendo crescido a taxas altas recentemente (10%) – e a Índia a 8% - seus fundamentos não estão no consumo, consequentemente não poderiam nem pensar em substituir o grande mercado norte-americano.

Além disso é só comparar os PIBs, para se ter uma idéia do tamanho do consumo norte-americano: o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos anda por volta de 13,7 trilhões de dólares enquanto que o da China e Índia reunidas totaliza 4,4 trilhões. Estamos falando de PIB mas a comparação dá uma idéia de que China e Índia não têm como competir com os Estados Unidos no consumo. Centenas de milhões de chineses e também de hindus vivem na base de um dólar por dia, o estoque de pobreza nos dois gigantes é igualmente colossal. Justamente o investidor imperialista vai à China atrás de mão de obra baratíssima (super-explorada) e disciplinada pela ditadura stalinista chinesa.

Quanto às reservas chinesas, estas terminam sendo outro problema colossal. A maior parte delas (900 bilhões em 1,3 trilhões) está aplicada em títulos e bônus do Tesouro norte-americano. Portanto estão aplicadas em dólar.
No caso de chineses e/ou hindus começarem a retirar seus dólares daquelas aplicações e de começarem a mudar a composição das suas reservas – migrando para outras moedas – o resultado será catastrófico para a economia planetária. Sobretudo para as economias mais fracas. Por uma razão dentre outras: o dólar seria enfraquecido, as importações (incluindo óleo, alimentos) ficariam mais caras.

E quanto à crise, todo aprofundamento da crise global significará, para aquelas economias – China e Índia – as quais conjuntamente possuem 40% da população mundial (2,4 bilhões de pessoas), crise em grande estilo. De repercussão igualmente global. É aguardar para ver.

[Dados de Hedelberto L. Blach, Podrán China e Índia aguantar el golpe? 18/3/8, http://www.rebelion.org/]

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Thursday, March 20, 2008

IRAQUE: DOIS HIROSHIMAS



O Estado terrorista: EUA




"De hecho, la cuota mortal iraquí desde nuestra invasión es hoy más grande que el número total de bajas militares británicas en la Segunda Guerra Mundial, que llegó a la asombrosa cifra de 265 mil muertos (algunos historiadores hablan de 300 mil) y 277 mil heridos. Las estimaciones mínimas de iraquíes muertos significan que los civiles de Mesopotamia han sufrido seis o siete Dresdes o –más terrible aún– dos Hiroshimas.


Hemos despachado nuestros ejércitos a la tierra del Islam. Lo hicimos con el solo respaldo de Israel, cuyos propios informes falsos sobre Irak han sido discretamente olvidados por nuestros amos mientras derraman lágrimas de cocodrilo por los miles de iraquíes muertos hasta ahora.
El enorme prestigio militar estadunidense ha sufrido un daño irreparable. Y si hoy, como ahora calculo, se encuentra en el mundo musulmán 22 veces la cifra de soldados occidentales que fueron allá durante las cruzadas de los siglos XI y XII, debemos preguntarnos qué estamos haciendo. ¿Estamos allá por el petróleo? ¿Por la democracia? ¿Por Israel?
Alegremente conectamos Afganistán con Irak. Según se dice, si Washington no se hubiera distraído con Irak, el talibán no se habría restablecido. Pero Al Qaeda y el nebuloso Osama Bin Laden no se distrajeron. Y eso explica por qué expandieron sus operaciones en Irak y luego usaron esta experiencia para acosar a Occidente en Afganistán con el atacante suicida, del cual no se había sabido antes en aquel país.



Voy a aventurar una presunción terrible: que hemos perdido Afganistán como sin duda hemos perdido Irak y como de seguro vamos a “perder” Pakistán. Es nuestra presencia, nuestro poder, nuestra arrogancia, nuestra renuencia a aprender de la historia y nuestro horror –sí, horror– al Islam lo que nos precipita al abismo. Y en tanto no aprendamos a dejar en paz a esos pueblos musulmanes, nuestra catástrofe en Medio Oriente se volverá más grave. No hay conexión entre el Islam y el “terror”. Pero sí hay conexión entre nuestra ocupación de tierras musulmanas y el “terror”. No es una ecuación tan complicada. Y no necesitamos una consulta pública para entenderla bien".



Publicado no The Independent, ddo texto de Robert Fisk, Solo aprendemos que nunca aprendemos, tradução de Jorge Anaya. Foto do weblogs.nrc.nl, 2007

Thursday, March 06, 2008

IMPÉRIO MANTIDO A DÍVIDAS, MILITARISMO E ESPOLIAÇÃO DO TRABALHO


Economia parasitária por excelência, os EUA são movidos a crédito - endividamento - e dissipação de gastos públicos, especialmente com armas. O nome da coisa é decadencia. É hegemonia com ameaça permanente de instabilidade, seja política, diplomática ou financeira.Na opinião de Beinstein:"Los países centrales fabricaron gigantescas deudas públicas y de ese modo mantuvieron la demanda interna, amortiguaron através de subsidios sociales una desocupación que devino estructural o bien la desdibujaron através de la generalización del tragajo precario, alentaron la especulación financiera que atrapé dinámica a los estados e infló efímeros mercados emergentes desquiciando aun más a la periferia convergiendo con negocios ilegales de alta rentabilidad (narcotráfico, etc.).En síntesis, la postergación de la crisis iniciada en los 70s tuvo como eje central un complejo proceso de expansión financiera que operó como multiplicador de las componentes parasitarias del sistema mundial, ello concluyó en una crisis general de la globalización (desde 1997)". (Jorge BEISNSTEIN, 1999, La larga crisis de la economia global, Buenos Aires, Corregidor).

GUERRA NUCLEAR DE BAIXA INTENSIDADE: OS EUA HOJE


OS EUA JÁ ESTAO NA GUERRA NUCLEAR FAZ TEMPO
Carta Capital está de parabéns pela reportagem publicada no número 484 (março 2008) a respeito da munição radioativa utilizada pelos norte-americanos em guerras recentes (Desejo e reparação). Os Estados Unidos em suas ações de puro militarismo imperialista como no Iraque e agora, ao utilizarem, fartamente, balas radioativas na Guerra do Golfo, na guerra na Iugoslávia e também, atualmente, no próprio Iraque, só demonstram que não se deterão diante de nenhum obstáculo para afirmar seu poder. A reportagem de Carta Capital tem o mérito e a coragem de demonstrar, com dados, que os Estados Unidos já iniciaram a guerra nuclear de baixa intensidade contra os povos do mundo. O general do exército brasileiro que inspecionava áreas em conflito invadidas por tropas da OTAN foi vítima dessa guerra que utiliza métodos abertamente sujos, recorre a meios bélico-nucleares, ao devastar – com balas de urânio radioativo - o inimigo, o meio ambiente e todo ser vivo que estiver por perto (caso do general e de outros oficiais brasileiros cuja tragédia pode estar sendo encoberta como sugerem os dados daquela reportagem). A reportagem permite que a opinião pública fique sabendo e comece a debater, em todos os fóruns, o caráter e as implicações desse autêntico terrorismo de Estado desencadeado pelos generais norte-americanos e sobre o qual a grande imprensa tanto se cala.
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UM IMPÉRIO MONTADO NO BARRO

O IMPÉRIO E SUA PIRÂMIDE
"Na relação com o mundo, os EUA acostumaram-se a viver muito acima dos seus próprios recursos, o que gera um passivo crescente e exigirá nova moratória futura. Internamente, o novo arranjo tornou amplamente hegemônicos os administradores de ativos líquidos, que nem sequer manejam moeda. Manejam títulos, participações, cotas, ações, derivativos, papéis de todo tipo, inclusive papéis que representam outros grupos de papéis e que só existem na fantasia dos mercados futuros... Não estão sob controle de bancos centrais, chamados só na hora de pagar as contas. Nos Estados Unidos, essa incrível pirâmide de operações financeiras baseava-se, principalmente, em hipotecas residenciais. Agora, está solta no ar. É por isso que os analistas mais argutos e mais bem pagos, manejando equações cada vez mais complicadas, só conseguem dizer platitudes." (César Benjamin, Folha de SP de 23/2/08, Além da moeda).

PECADORA A CRENTE: MAIS DO MESMO

Filme-Trash - Ashley Judd, Diane Ladd e todo um elenco desperdiçado em um filme 100% descartável chamado "Encontros ao acaso" (Come early morning), em torno da vida de uma mulher de encontros casuais em pequena cidade do interior dos EUA e que termina virando evangélica. Não perca seu tempo a não ser que goste de filmes do gênero eu-era-vazia-e-pecadora-agora-sou-crente-deixei-de-pecar. 23/2/08

DEZ ANOS E NADA

DEZ ANOS E NADA - A manchete é "Palace II - Uma década de dor" mas bem poderia ser "Justiça brasileira: tarda, retarda e falha", basta que se leia o subtítulo daquela manchete (CBz de 23/2/08): "Pelo menos 130 famílias atingidas pelo desabamento do predio do ex-deputado federal Sérgio Naya no Rio, em 1998, ainda nao receberam um centavo sequer de indenização". O prédio desabou na Tijuca, no carnaval de 1998, na Tijuca, bairro nobre do Rio, matou oito pessoas e até hoje há famílias vivendo em hotéis, desalojadas. As vítimas tiveram decisão favorável na Justiça em todas as instâncias judiciais a favor do ressarcimento pelo imóvel destruído. Nada disso significou dinheiro devolvido aos prejudicados. O deputado não mais trabalha, dividindo seu tempo entre confortável apartamento na Asa Sul (Brasília) e casa no interior de Minas (Laranjal); na época do desabamento, tinha riqueza avaliada em meio bilhão de reais, hoje tem bens supostamente bloqueados, no entanto, as mais de 100 famílias nada receberam. O andar de cima controla a Justiça, já disse alguém. O que o andar de baixo tem certeza é que a tal Justiça definitivamente não foi feita por eles e nem para eles. ***

IGREJA, CÉLULAS-TRONCO E GENOCÍDIO


IGREJA E GENOCÍDIO AFRICANO: O CASO DAS CÉLULAS-TRONCO

Células-tronco: Igreja versus Estado laico. Em uma primeira aproximação do problema da queda de braço da Igreja contra a ciência (pesquisa com células-tronco embrionárias), não custa dar razão ao líder do Paralamas quando diz, da sua cadeira de rodas, que é criminoso condenar pessoas à desesperança, ao se proibir – como pretende a Igreja -, a esperança despertada por esse tipo de pesquisa.

Ele até foi suave ao não usar termos como dogmatismo e obscurantismo medievais em pleno século XXI.

Igreja dando palpite em ciência? Religião se intrometendo em pesquisa médica? Se fossemos depender dos ‘argumentos’ da religião, o Sol estaria girando em torno da Terra até hoje. Mulher seria um ser de segunda categoria. E ninguém usaria camisinha. E coisas no estilo. No caso das células-tronco, a Igreja – aliás, as igrejas, já que se trata de todas elas – prefere que os laboratórios de reprodução assistida joguem “a vida” na lata de lixo. Como assim? Ora, se os embriões de poucos dias que estão nos bancos dessas clínicas não forem usados em pesquisas, eles irão para o lixo, todo mundo sabe disso, os guardiães da fé sabem disso.

O presidente da Associação Parkinson de Brasília, Carlos Patto, foi mais direto ao argumentar que a Igreja “é uma instituição amplamente envolvida em genocídios no passado e que continua até hoje. Veja que milhões morrem na África por causa da AIDS e a Igreja condena o uso da camisinha; ao defender o fim das pesquisas, indiretamente a instituição está negando a vida para um monte de gente que está morrendo”. Dá para discordar?

Pode-se acrescentar: o Estado é laico ou não é laico? Argumento religioso conduzindo questões de Estado, Igreja como protagonista principal de um debate científico-político: dá para acreditar? É o cheiro de Idade Média pesando sobre nós como uma peste. A revolução burguesa ainda não chegou por aqui. As células embrionárias têm que ir para a lata de lixo, mas não podem ser usadas em pesquisa que ajudem a salvar vidas: pode-se ser mais grotesco, inadequado e obscurantista?

Mudando de assunto: onde andava a Igreja enquanto Pinochet executava seu genocídio contra o povo chileno, enquanto Videla executava milhares de argentinos, enquanto Hitler massacrava milhões? Protestou? Fez campanha contra? Entrou com alguma ação de inconstitucionalidade? Vade retro!

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A DÍVIDA EXTERNA ACABOU. ACABOU?

A DÍVIDA INTERNA COLOSSAL PASSOU A OFUSCAR A EXTERNA
(Resumo: o Brasil deve e paga juros mais que nunca)

O governo vem alardeando que o Brasil não deve mais. Que o Brasil não tem mais dívida externa. E finalmente que o Brasil agora é credor. O curioso neste argumento não é o que ele revela mas sim, como em todo argumento ideológico, o que ele esconde.

E ele esconde coisas do tipo: em janeiro deste ano de 2008, o governo pagou de juros da dívida interna 13,4 bilhões de reais (mais do que o gasto com o Bolsa Família em 2007; em outra comparação: é mais do que o previsto para Educação em 2008). Em 2007 o governo gastou 160 bilhões de reais só com juros da dívida pública. Em 2009 serão mais. Muito mais do que dez Bolsas Família serão pagos a credores do Estado.
Credores? Mas o Brasil não deixou de ser credor? O Correio Brazilienze não estampou na manchete de capa que agora ´quem deve ao Brasil são os gringos´? Lula, Batista Nogueira Jr, Zé Dirceu e toda a imprensa chapa-branca não estão dizendo que estamos diante do fato histórico do fim da dívida externa?

Sim. Estamos diante de um fato histórico mas não exatamente o fato histórico que Lula alardeia. O fato histórico é que o Brasil acaba de trocar sua dívida externa por dívida interna. Até o osso. Ou melhor: a dívida interna superou a externa. Basicamente isto.

O mecanismo de espoliação e de dependência do capital imperialista é mais sufocante que nunca. As perdas, o entreguismo, a internacionalização da economia colossais, sem precedentes. Os credores agora torram seus dólares em reais, estão ganhando mais aqui dentro. Ganham mais com a dívida interna do que com a externa.

Em janeiro deste ano a dívida pública total, somando a interna e a externa, estava em 1,311 trilhão de reais. Em 2008 vencem 400 bilhões de reais em títulos da dívida total. A dívida interna tornou-se o devorador-mor das economias brasileiras.

Por que esta metamorfose ? Porque o Brasil oferece, para a dívida interna, juros que estão entre os mais altos do mundo, e com o dólar artificialmente fortalecido é mais vantagem para os gringos e os não-gringos converter dólar em real e mamar os juros da dívida interna. Assim cresce o colchão das tão incensadas reservas do governo (não apenas por este mecanismo mas também pelas vendas de commodities, pelos cortes orçamentários e pelo capital imperialista que entra aqui sem pagar imposto de renda).

E esse colchão de dólares (180 bi de dólares no final de janeiro de 2008)? É outra enganação. Ele é rigorosamente volátil. Pode ir embora na primeira crise internacional. Ele é pouco mais que uma garantia que o governo vassalo oferece para todo dólar que venha para cá em forma de capital: venha que nós garantimos sua saída - mais gordo -, temos reservas. Tais reservas não significam que a sangria internacional diminuiu. Ao contrário: elas são o retrato de quanto cresceu a sangria (o governo está oferecendo aos títulos da dívida interna juros de 12,8% ao ano). Por isso só em um mês (janeiro 2008) foi embora um montante maior do que o gasto anual com o Bolsa Família.

O ufanismo do governo (não somos devedores), além de ideológico, visa seduzir os investidores internacionais para que não fujam em meio à crise internacional que ameaça instalar-se de vez. É discurso vassalo. É farsa de quem trocou a dívida externa por dívida interna apenas porque através desta ofereceu mais vantagens para o cassino do capital financeiro internacional. Nada de novo.

Aliás, o novo é que nossa linguagem tem que mudar: dívida pública. Pelo não-pagamento da dívida pública, o que inclui as duas, a externa (que é enorme) a qual, somada à interna vai em escalada para 1,5 trilhão de reais (de dezembro passado para janeiro, para que se tenha uma idéia, cresceu em mais de 200 bilhões de reais). Resumo: a nação tapuia, graças à elite burguesa cabocla, continua nas mãos do grande capital agiota.

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Monday, March 03, 2008

A guerra nuclear (de baixa intensidade) está ocorrendo

--27-2-8

OS EUA JÁ ESTAO NA GUERRA NUCLEAR FAZ TEMPO

Carta Capital está de parabéns pela reportagem publicada no número anterior (484) a respeito da munição radioativa utilizada pelos norte-americanos em guerras recentes (Desejo e reparação). Os Estados Unidos em suas ações de puro militarismo imperialista como no Iraque e agora, ao utilizarem, fartamente, balas radioativas na Guerra do Golfo, na guerra na Iugoslávia e também, atualmente, no próprio Iraque, só demonstram que não se deterão diante de nenhum obstáculo para afirmar seu poder. A reportagem de Carta Capital tem o mérito e a coragem de demonstrar, com dados, que os Estados Unidos já iniciaram a guerra nuclear de baixa intensidade contra os povos do mundo. O general do exército brasileiro que inspecionava áreas em conflito invadidas por tropas da OTAN foi vítima dessa guerra que utiliza métodos abertamente sujos, recorre a meios bélico-nucleares, ao devastar – com balas de urânio radioativo - o inimigo, o meio ambiente e todo ser vivo que estiver por perto (caso do general e de outros oficiais brasileiros cuja tragédia pode estar sendo encoberta como sugerem os dados daquela reportagem). A reportagem permite que a opinião pública fique sabendo e comece a debater, em todos os fóruns, o caráter e as implicações desse autêntico terrorismo de Estado desencadeado pelos generais norte-americanos e sobre o qual a grande imprensa tanto se cala.
Gilson Dantas, Brasília, DF.

PSOL, um PT que já nasce bichado

"O PSOL é uma referência internacional desse tipo de partido, que vem se chamando “partidos amplos”. Surge com todos os defeitos do PT e sem a qualidade de ser um partido ligado às massas trabalhadoras como o PT nas suas origens. Tem uma estratégia que podemos chamar de “desgaste” que poderíamos sintetizar como sindicalismo e eleitoralismo [1], a mesma que fez o PT se transformar numa ferramenta cada vez mais funcional ao Estado burguês. É um partido antigovernista, mas seu programa não é classista, muito menos revolucionário"(PO, 16/2/08, Marcelo Torres). Como discordar?