Friday, November 07, 2008

Começa o fim da bonança lulista no Brasil

Bonança econômica no Brasil ou um sistema que prepara mais desemprego, fome e miséria


“A crise capitalista já não é mais uma “marola” nem “problema dos EUA”, como dizia Lula e seus auxiliares. A desaceleração econômica virou uma certeza diante da crise de créditos e as perspectivas de inflação, queda dos preços das commodities e vulnerabilidade do real e das contas externas. O governo Lula se lança descaradamente para salvar os banqueiros e capitalistas industriais com dinheiro público, isenção de impostos e outras medidas. Para os trabalhadores e o povo pobre, o governo não reservou qualquer injeção de recursos ou plano econômico.
É o governo de um ex-sindicalista metalúrgico do ABC e de um partido que dizia defender os trabalhadores e acabou completamente serviçal dos capitalistas – banqueiros, industriais, comerciantes, latifundiários e imperialistas. Dos capitalistas e deste seu governo os trabalhadores e o povo nada podem esperar; eles já atuam velozmente para se safarem, às custas de lançar o país e a maioria trabalhadora que tudo produz, numa catástrofe social.
Os trabalhadores e as massas estão sem direção, sem organizações, programa e plano de ação para não pagar a crise capitalista com desemprego, miséria e fome. Os grandes sindicatos e centrais sindicais – CUT, Força Sindical, UGT, CTB, entre outras – estão atrelados ao governo e aos capitalistas. Atuam como papagaios que repetem o que os patrões e o governo Lula desejam, escondendo os perigos que nos ameaçam.
Na mais importante greve bancária dos últimos anos, durante todos os 25 dias, a direção sindical cutista (apoiada pelos sindicalistas da CTB-PCdoB) tudo fez para impedir que a disposição de luta dos bancários estivesse orientada a desmascarar os banqueiros, os empresários e os governantes como os principais causadores da crise econômica, aproveitando a mobilização para denunciar a toda a sociedade os planos que esses capitalistas preparam para sugar a riqueza nacional para as mãos de um punhado de bancos e empresas nacionais e estrangeiras que pretendem ser “salvas” da crise gerada por eles próprios, pela sua anarquia capitalista – propriedade privada, ganância, concorrência e concentração de renda.
(...)
Só a mais hipócrita demagogia poderia acreditar que, se nos anos de bonança aos trabalhadores restaram não mais que míseras concessões, diante dessa profunda crise não vai sobrar mais que ataques ao proletariado, principalmente por parte dos setores capitalistas que mais se verão prejudicados com a crise. Desde a época do governo Collor (1990), ouvimos a cantilena de aceitar salários rebaixados e perdas de direitos em troca de empregos. Essa estratégia de conciliação dos sindicalistas serviu para enriquecer ainda mais os capitalistas, deixando um rastro de desemprego, precarização do trabalho, rebaixamento salarial e reformas neoliberais (retirada de direitos) que amargurou os trabalhadores nesses quase vinte anos.
A verdade nua e crua se mostrará daqui em diante: os trabalhadores precisam avançar em um programa, consciência, ação e organização para lutar contra o conjunto do capitalismo”. (Autor: Val Lisboa. Publicado no jornal Palavra Operária n.48 –1º. Novembro 2008)

Revista ISKRA

Lançada em São Paulo a grande novidade para todos aqueles que pretendam pensar séria e criticamente o Brasil e desenvolver o pensamento social na perspectiva de Karl Marx.

A revista ISKRA é uma "iniciativa encabeçada por uma nova geração de intelectuais militantes, todos com idades entre vinte e trinta anos, que se dispuseram a dar corpo a uma nova ferramenta de combate para a reconstrução do marxismo revolucionário através do debate com as idéias profundas que influenciam a esquerda brasileira e mundial. Num momento em que surgem por diversos lados sintomas de uma recuperação do interesse teórico pelo marxismo, e cresce seu poder de atração sobre parcelas da juventude universitária, queremos contribuir com a Revista ISKRA para revitalizar o debate marxista e devolver a ele o seu conteúdo mais radical e revolucionário, em contraste com o academicismo que contamina muitos dos melhores esforços feitos pelos jovens pesquisadores que se dedicam ao tema.
Em particular, dedicamos nossos esforços para desfazer alguns mitos amplamente aceitos, como é o caso, neste primeiro número, da mitologia que costuma cercar as figuras de Georg Lukács e Caio Prado Jr., intelectuais em geral associados à idéia de um “marxismo criativo e original”, em cujas mãos ele perde, no entanto, seu caráter irreconciliavelmente revolucionário e internacionalista". Fundamentalmente polêmica e instigante, esta publicação nos parece o grande fato novo no campo das revistas que se propõem a trazer Marx para os dias atuais e pensar a realidade de uma forma inequivocamente revolucionária. G.Dantas