Tuesday, June 29, 2010


Visite o site da revista Contra a Corrente
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e encontre a mesma revista no dflivros.blogspot.com

Friday, January 16, 2009

O massacre de Gaza e as implicações políticas da estratégia colonialista e racista de Israel

foto disponível em: pardalvirgem.blogspot.com/.../faixa-de-gaza.html

O massacre indiscriminado do povo palestino pelas tropas de ocupação do exército de Israel já avança ao longo de quase três semanas confirmando sua estratégia de colonização e extermínio do povo árabe. Um milhão e meio de pessoas, em sua esmagadora maioria pobres, privadas de tudo e desempregados, amontoados em uma espécie de cárcere ou campo de concentração a céu aberto, espremidas entre o mar, os muros, os tanque e o bombardeio com bombas de fragmentação e fósforo branco, experimentam o genocídio desencadeado pelas tropas mais preparadas e mais bem armadas da região. A covardia assassina do Estado sionista, racista e colonialista de Israel só é superada pela cúmplice covardia dos governos árabes, especialmente do Egito, Arábia Saudita e outros que se apresentam como críticos a Israel e que tampouco reagem à altura.

Toda a história do Estado-fortaleza de Israel, que depende, industrial e militarmente, do imperialismo norte-americano, é a de dominar, negar, massacrar e colonizar as populações palestinas na região. Estado artificialmente inventado para defender os interesses econômicos e contra-revolucionários do imperialismo norte-americano e europeu no Oriente Médio do petróleo, Israel nasceu, há 60 anos, da ocupação militar e expulsão de meio milhão de palestinos do território onde viviam. Israel sempre afirmou seu poder baseado em três pilares: o apoio vital, militar e econômico, da potência norte-americana, a cumplicidade de burguesias árabes (e da própria direção palestina tipo Abbas) e o uso do terrorismo de Estado para intimidar povos e governos da região.

Nesses termos, não há novidade estratégica na atual operação executada por Israel; e continua vigente a explicação para a força militar e a impunidade internacional (veja-se o comportamento hipócrita da ONU por exemplo) que ampara os crimes de guerra sionistas. E que interpreta uma invasão colonialista e assassina como “legítima defesa”.

A novidade é que esta potência militar regional que bombardeia e massacra um povo que ela explora como mão-de-obra barata já não é a mesma potência imbatível e já não desfruta da mesma solidez política. Esta é uma das razões desse esforço militar em assegurar uma vitória que seja exemplar contra os governos regionais vacilantes, exemplar para quebrar a resistência palestina fortalecida pela eleição do Hamas em 2006 e dominá-la politicamente, e exemplar internamente para elevar o moral de uma tropa tida como infalível mas que vem de sua primeira derrota em 2006 contra as milícias do Hezbollah, no Líbano; e exemplar também para tentar, ante as eleições de fevereiro próximo, unir a direita política, internamente, toda ela atolada em escândalos de corrupção em meio a um processo onde tem crescido a desigualdade social em Israel e o pânico e direitização interna pelo crescimento da potência regional do Irã, ponto de apoio das milícias do Hamas.
Para complicar Israel, o fracasso da ocupação militar do Iraque vem enfraquecendo a posição política e militar dos Estados Unidos na região (inclusive com o Irã alcançando um peso dentro do Iraque esfacelado que não dispunha antes da ocupação). Israel trata de unir suas forças políticas internas através da guerra e criar fatos consumados (posições mais fortes como seria a almejada destruição da administração do Hamas, a instalação de algum fantoche palestino tipo Abbas ou alguma solução final para Gaza) para as novas negociações que virão com o grupo Obama (que não é anti-Israel, mas tentará criar nova fachada de acordos na região, tentando incluir o Irã).

O complicador para Israel é que nenhum dos cenários fortalece suas posições. A solução de força pode enfraquecê-lo. E não apenas porque o genocídio revolta massas inteiras entre os palestinos, mas também entre egípcios, sírios, libaneses etc, contra Israel. Todo cenário do cessar fogo na ofensiva atual será tomado como vitória do Hamas por maior que seja a destruição de suas forças por Israel. Impor contra o Hamas uma direção colaboracionista e fantoche como a da Autoridade Nacional Palestina não terá a menor sustentação política depois desta invasão, muito menos eleitoral. Reocupar Gaza, enfraquecer o Hamas e entregar sua administração para algum país árabe só trará complicações para países, como o Egito, que já enfrentam resistência popular por conta de sua política ambivalente e/ou pró-Israel.

Em síntese, o atual massacre, embora inserido na estratégia de força e colonialista de Israel está carregado de contradições e se dá em um contexto que conduz, cedo ou tarde, ao seu enfraquecimento naquela zona. A direitização de sua política – interna e externamente – mais que sinal de força, pode estar revelando uma nova situação mundial (de crise econômica) e no Oriente Médio, na qual a potência dominante (os Estados Unidos) e o Estado-terrrorista de Israel tendem a enfrentar mais resistência e mais complicações políticas que antes. Contra seus crimes de guerra é essencial o apoio incondicional à luta armada palestina na perspectiva de implantação de Estados anti-racistas democraticamente organizados pelos trabalhadores e massas árabes pobres.

GD 15/1/9

Israel: as armas do holocausto contra o povo palestino

Ser bárbaro é arrancar e negar ao outro sua humanidade (T. Todorov)

A heróica resistência palestina não conta com um único helicóptero ou qualquer tanque de guerra que seja para enfrentar a avassaladora e desproporcional máquina bélica de Israel. No entanto resistem heroicamente – sua causa é completamente justa - e após três semanas infernais com o massacre implacável de mais de mil palestinos (maioria civis e crianças), as milícias do Hamas continuam oferecendo combate às tropas do Estado sionista. A despeito de não contarem com os mísseis, aviões e as bombas arrasa-quarteirão de Israel, seus foguetes precários e de curto alcance continuam sendo lançados contra o território inimigo.

Os crimes de guerra do Estado terrorista de Israel merecem o repúdio de todas as massas do mundo, assim como também é importante mobilizar contra a cumplicidade e passividade militar e política das burguesias árabes (e da ONU, da U. E, dos governos ditos democráticos) que, com essa duplicidade ou conivência terminam sendo ponto de apoio objetivo para o genocídio. Os quase 1,5 milhões de habitantes de Gaza, que já sobreviviam precariamente sob bloqueio econômico de Israel hoje amargam toneladas de bombas sobre suas cabeças enquanto “civis estão sendo assassinados em números imensos e trabalhadores humanitários que tentam ajudar os moribundos são alvejados” segundo a própria ONU (através de sua agência para refugiados palestinos, a UNRWA pela sigla em inglês) denunciou.

Não se trata de “apenas uma reação desproporcional” de Israel como tem dito o governo brasileiro (o chanceler Celso Amorim). São crimes de guerra, de holocausto étnico e a política de Lula é a de complacência com os criminosos (política aliás previsível já que, em pleno acordo com os Estados Unidos, Lula mantém tropas de ocupação no Haiti).

Como mais uma expressão macabra de todo esse quadro, neste momento se ampliam as denúncias de que Israel, além do permanente e intenso bombardeio a escolas, edifícios habitacionais, comboios de ajuda e cemitérios (com corpos voando para o telhado e quintais das casas vizinhas), e do uso das terríveis bombas de fragmentação contra uma das regiões mais densamente povoadas do mundo, tem recorrido a recursos de genocídio, de limpeza étnica formalmente proibidos pelas leis internacionais de guerra: fósforo branco, napalm e armas nucleares de baixa intensidade (balas de urânio radioativo).

O jornal conservador britânico Times (Chris Floyd, 8-1-2009) informou que o exército de Israel está utilizando projéteis que contêm napalm e fósforo branco contra as populações de Gaza, substâncias que provocam chamas que não se apagam e queimaduras mortais. Ao mesmo tempo, denúncias publicadas no Canadá, de vários médicos noruegueses presentes em Gaza, afirmam terem encontrado vítimas civis contaminadas com urânio empobrecido (11-01-09, Uruknet.Info). O uso de tais armamentos – balas, ojivas ou mísseis revestidos com urânio radioativo capazes de cortar a mais grossa blindagem –, portando armas nucleares de baixa intensidade, é revelador da conduta de Israel como Estado terrorista e desmascara a farsa de “evitar baixas civis” ou “combater” o terrorismo. Se lançar bombas e projeteis de fósforo banco, napalm, que queimam a carne até alcançar o osso, e lançar balas e projéteis radioativos não for terrorismo bestial de Estado, o que mais pode ser? Quem é o terrorista nessa história onde um povo invadido e expulso de sua terra, depois explorado como mão de obra barata é exterminado e torturado, dia após dia, em um gueto que guarda toda semelhança com uma grande Guantanamo?

A OTAN já tinha usado tais armas de extermínio e de efeitos radioativos indiscriminado contra povos da Iugoslávia, os Estados Unidos também no Iraque. Com tais métodos, o Estado sionista (que foi criado artificialmente – dentro dos marcos colonialistas – pelo imperialismo norte-americano há 60 anos com base na expulsão violenta de quase 1 milhão de palestinos dos seus lares) está anunciando a todo o mundo, através do sangue de inocentes e de seus crimes de guerra, a sua natureza e a sua função puramente contra-revolucionária naquela região.

Além da necessária mobilização de apoio incondicional à luta das massas palestinas e do Hamas contra o Estado colonialista de Israel e todos os governos cúmplices, é importante denunciar que Israel não respeita sequer a eleição democrática do Hamas, a vontade das massas palestinas de Gaza e com sua política deliberada de impor privações e horrores de guerra a uma população civil rompe com todo padrão de humanidade. Com aval e total apoio bélico, econômico e político do imperialismo norte-americano. É preciso mobilizar contra e defender a revolução das massas árabes contra governos e burguesias que temem mais ao seu povo do que a Israel, começando por todo apoio aos combatentes e ao povo palestino.

Gilson Dantas 16.1.9

Friday, November 07, 2008

Começa o fim da bonança lulista no Brasil

Bonança econômica no Brasil ou um sistema que prepara mais desemprego, fome e miséria


“A crise capitalista já não é mais uma “marola” nem “problema dos EUA”, como dizia Lula e seus auxiliares. A desaceleração econômica virou uma certeza diante da crise de créditos e as perspectivas de inflação, queda dos preços das commodities e vulnerabilidade do real e das contas externas. O governo Lula se lança descaradamente para salvar os banqueiros e capitalistas industriais com dinheiro público, isenção de impostos e outras medidas. Para os trabalhadores e o povo pobre, o governo não reservou qualquer injeção de recursos ou plano econômico.
É o governo de um ex-sindicalista metalúrgico do ABC e de um partido que dizia defender os trabalhadores e acabou completamente serviçal dos capitalistas – banqueiros, industriais, comerciantes, latifundiários e imperialistas. Dos capitalistas e deste seu governo os trabalhadores e o povo nada podem esperar; eles já atuam velozmente para se safarem, às custas de lançar o país e a maioria trabalhadora que tudo produz, numa catástrofe social.
Os trabalhadores e as massas estão sem direção, sem organizações, programa e plano de ação para não pagar a crise capitalista com desemprego, miséria e fome. Os grandes sindicatos e centrais sindicais – CUT, Força Sindical, UGT, CTB, entre outras – estão atrelados ao governo e aos capitalistas. Atuam como papagaios que repetem o que os patrões e o governo Lula desejam, escondendo os perigos que nos ameaçam.
Na mais importante greve bancária dos últimos anos, durante todos os 25 dias, a direção sindical cutista (apoiada pelos sindicalistas da CTB-PCdoB) tudo fez para impedir que a disposição de luta dos bancários estivesse orientada a desmascarar os banqueiros, os empresários e os governantes como os principais causadores da crise econômica, aproveitando a mobilização para denunciar a toda a sociedade os planos que esses capitalistas preparam para sugar a riqueza nacional para as mãos de um punhado de bancos e empresas nacionais e estrangeiras que pretendem ser “salvas” da crise gerada por eles próprios, pela sua anarquia capitalista – propriedade privada, ganância, concorrência e concentração de renda.
(...)
Só a mais hipócrita demagogia poderia acreditar que, se nos anos de bonança aos trabalhadores restaram não mais que míseras concessões, diante dessa profunda crise não vai sobrar mais que ataques ao proletariado, principalmente por parte dos setores capitalistas que mais se verão prejudicados com a crise. Desde a época do governo Collor (1990), ouvimos a cantilena de aceitar salários rebaixados e perdas de direitos em troca de empregos. Essa estratégia de conciliação dos sindicalistas serviu para enriquecer ainda mais os capitalistas, deixando um rastro de desemprego, precarização do trabalho, rebaixamento salarial e reformas neoliberais (retirada de direitos) que amargurou os trabalhadores nesses quase vinte anos.
A verdade nua e crua se mostrará daqui em diante: os trabalhadores precisam avançar em um programa, consciência, ação e organização para lutar contra o conjunto do capitalismo”. (Autor: Val Lisboa. Publicado no jornal Palavra Operária n.48 –1º. Novembro 2008)

Revista ISKRA

Lançada em São Paulo a grande novidade para todos aqueles que pretendam pensar séria e criticamente o Brasil e desenvolver o pensamento social na perspectiva de Karl Marx.

A revista ISKRA é uma "iniciativa encabeçada por uma nova geração de intelectuais militantes, todos com idades entre vinte e trinta anos, que se dispuseram a dar corpo a uma nova ferramenta de combate para a reconstrução do marxismo revolucionário através do debate com as idéias profundas que influenciam a esquerda brasileira e mundial. Num momento em que surgem por diversos lados sintomas de uma recuperação do interesse teórico pelo marxismo, e cresce seu poder de atração sobre parcelas da juventude universitária, queremos contribuir com a Revista ISKRA para revitalizar o debate marxista e devolver a ele o seu conteúdo mais radical e revolucionário, em contraste com o academicismo que contamina muitos dos melhores esforços feitos pelos jovens pesquisadores que se dedicam ao tema.
Em particular, dedicamos nossos esforços para desfazer alguns mitos amplamente aceitos, como é o caso, neste primeiro número, da mitologia que costuma cercar as figuras de Georg Lukács e Caio Prado Jr., intelectuais em geral associados à idéia de um “marxismo criativo e original”, em cujas mãos ele perde, no entanto, seu caráter irreconciliavelmente revolucionário e internacionalista". Fundamentalmente polêmica e instigante, esta publicação nos parece o grande fato novo no campo das revistas que se propõem a trazer Marx para os dias atuais e pensar a realidade de uma forma inequivocamente revolucionária. G.Dantas

Saturday, August 09, 2008

Argentina e Brasil: lá como cá, a exploraçao do trabalho rural



A VERDADEIRA CARA DA PATRONAL AGRÁRIA NA ARGENTINA

A luta pelo fim do trabalho negro no alho e das ´cooperativas fraudulentas´ na Argentina

No inverno a vida dos trabalhadores do setor agrícola do alho é particularmente sofrida, na Argentina. Em Mendoza encontra-se a mais importante produção de alho da Argentina. Ali as patronais agrárias praticam o trabalho negro, super-precarizado. Os trabalhadores do alho pretendem formar seu sindicato. O governo reagiu violentamente contra, quer mante-los em cooperativas fraudulentas baseadas no trabalho escravo. O sindicato operário ceramista e os operários de Zanon tiraram declaração de apoio. Abaixo os testemunhos de trabalhadores do alho:


LUCHEMOS CONTRA EL TRABAJO EN NEGRO Y LAS MUERTES OBRERAS

Mendoza: el sindicato de los Trabajadores del Ajo

Testimonios
“Con nuestro trabajo se hacen millonarios”
La producción rural de Mendoza hace que Argentina sea el segundo país exportador de ajos del mundo. Bajo el azote directo del sol, sobre el barro, sin agua, con miedo de no sacar el dinero necesario para llevar a la casa. Pero apenas un puñado de empresarios, dueños de menos de 100 galpones habilitados en Mendoza, puede contar en sus manos que solamente en 2007 vendieron ajos al exterior por 73 millones de dólares.
La fría verdad es que nadie “nos da trabajo”. Nosotros le damos nuestro trabajo a estos señores, y con él se hacen millonarios. A cambio nosotros, y nuestros hijos, debemos sobrevivir el invierno con enormes sacrificios.
En el campo, la enorme mayoría de los trabajadores está en negro. Nosotros sufrimos el fraude de cooperativas ilegales que las empresas usan para quitarnos todos nuestros derechos laborales.
Casi siempre nuestros hijos deben crecer a nuestro lado mientras trabajamos, porque en las empresas no hay guarderías donde dejarlos. Cuando sus manos pueden empezar a tomar un tijera, tenemos dos opciones: o las usan para curtirse en el mundo del trabajo, o dejarlo en la casa quedando expuestos a la marginalidad de la calle. La explotación infantil es una parte fundamental de la ganancia patronal. Con esto, garantizan que nuestros niños crezcan como nosotros y nuestros padres: como esclavos.
“Decidimos levantar la cabeza por primera vez”
Nos han metido en la cabeza que “uno debe meterse en lo suyo”, que “hay que cuidar el trabajo” y “pensar nada más que en tu familia”. Repetimos estas ideas para consolarnos, pero son un veneno que sólo sirve para que no nos demos cuenta de lo necesario que es lograr la unidad (…)
En Campo Grande, tan sólo 500 obreras y obreros, decidimos levantar la cabeza por primera vez.(…) Las bestias de la policía, enviadas por el Gobierno y bajo las órdenes de la Fiscal Giner, nos golpearon tan fuerte que Carlos Erazo (…) enfermó gravemente hasta morir pobre ¿Nos derrotaron? No, a pesar de tantos golpes, engaños y errores, logramos que reincorporaran a los delegados que persistieron durante meses para volver. La empresa y la cooperativa, buscando calmar el reclamo, tuvo que aumentar el precio de la caja (…), pagar los nacimientos, algunos feriados, iniciar un proyecto de guardería.
Los empresarios del campo que hacen el lock out y desabastecen a nivel nacional, y que hicieron el “tractorazo” en Mendoza encabezados por la Cámara de Productores y Exportadores de Ajo, buscan más millones en sus ganancias, mientras nos someten a trabajar como esclavos. El Gobierno mientras que nos dio la espalda durante toda la lucha, se reunió con ellos esta semana para regalarles subsidios millonarios.
“Lo que podríamos hacer si nos pusiéramos de pie”
¿Entonces, es como dicen muchos: “contra estos tipos no se puede hacer nada”? No, ellos mismos tienen un gran temor de que se despierten los trabajadores. Tan sólo 6 (seis) de estas “cooperativas” reúnen 27.000 (veintisiete mil) empleados. Colonia Barraquero tiene 17.000 empleados en el país. Si 500 empleados de una empresa, pudimos hacer esto ¿qué podríamos hacer si nos pusiéramos de pie los miles y miles de obreros esclavizados por un puñadito de empresarios y seis jefes de estas “cooperativas”?
“Construir un sindicato que sea de los trabajadores”
Buscamos construir un sindicato que sea de los trabajadores. Por eso queremos que su principio y forma de organizarse y decidir sea la Asamblea democrática y soberana.
Queremos terminar con las divisiones entre obreros “paisanos” y “de acá”. Porque sabemos que los trabajadores no tenemos fronteras. Al contrario, queremos sumar lo mejor de estas tradiciones y experiencias. No aceptaremos discriminaciones de credo, sociales, políticas o de género (…) promovemos una unidad efectiva entre hermanos de una misma clase trabajadora, para defender y conquistar nuestros derechos económicos y sociales (…) los plenos derechos de la mujer trabajadora que es doblemente oprimida.
Queremos que sea (…) independiente de cualquier injerencia del gobierno y las organizaciones patronales. Que busque el progreso de la sociedad, con el fin de la explotación del hombre por el hombre.”
[Depoimentos publicados no jornal La Verdad Obrera Nº 285 /
Jueves 10 de julio de 2008 ]

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ARGENTINA HOJE: campo contra indústria?


ARGENTINA

No conflito entre a patronal agrária e o governo Kirchner: nem a favor de um e nem do outro. Por uma terceira posição.

O conflito entre o governo e a patronal agrária argentina já dura mais de três meses, e marca o fim da lua-de-mel entre os setores burgueses e o governo, que havia primado nos mandatos anteriores de Nestor Kirchner, abrindo uma importante crise política, agora transposta das ruas para o Congresso. Esta crise se iniciou com o pacote de medidas que o governo tentou aprovar, de aumento das retenciones, medida que desagradou os setores patronais do campo, que querem seguir acumulando a renda diferencial [1], já que as exportações agrícolas são responsáveis por 50% de todas as exportações argentinas.
O governo quer se apropriar de parte desta renda que acumula e redistribuí-los, não à classe trabalhadora e ao povo, mas a outros setores da burguesia. Assim é que as retenciones seriam utilizadas pelo governo de Cristina Kirchner para políticas como o favorecimento da patronal industrial, ou dos transportes, através do pagamento de subsídios, além do pagamento da dívida externa que favoreceria diretamente o imperialismo.
Por outro lado, a participação de setores da classe média e de pequenos proprietários agrários em paralisações e atos contra o governo não deve dar margens para confundir estas ações com manifestações populares antigovernistas por demandas democráticas, ou de trabalhadores em defesa de seus direitos e por melhoria em suas condições de vida, que como tal teriam que ser apoiadas e impulsionadas pela esquerda. Neste caso as manifestações contra o governo se dão sob o programa e a direção da patronal do campo, que conseguiu hegemonizar os produtores de menor peso, organizados na Federação Agrária (...)
A única conclusão possível frente a esta situação é que haveria que forjar uma terceira posição independente tanto da patronal do campo quanto do governo, que desmascarasse tanto a demagogia Kirchnerista e de seus apoiadores, como a burocracia da CGT de Hugo Mojano e dos piqueteiros oficialistas. De que haveria que controlar o lucro da Sociedade Rural, e desmascarar o cinismo da oligarquia de passar como portador dos interesses dos pequenos produtores do campo. Ficar ao lado de um dos setores burgueses enfrentados é na prática a renúncia a levantar uma política de independência de classe. Foi partindo desta premissa que em março o PTS impulsionou um importante ato contra o governo e a oposição burguesa, que contou com a presença de outras organizações da esquerda como o PO (Partido Obrero) e o MAS. Entretanto, enquanto o PTS continuou lutando por uma posição independente, o PO “passou a tentar pactuar para o 1º de Maio com o MST e o PCR, que militam no bando da patronal rural. Assim, impediu um ato na Praça de Maio com uma posição independente dos trabalhadores. (...) Apesar de se manter formalmente na ‘terceira posição’ (...) votou contra a declaração ‘Nem com o governo, nem com as patronais do campo’”.
(...)
Campanha de assinaturas
Já são mais de 500 assinaturas de intelectuais, docentes, jornalistas e trabalhadores da cultura, estudantes e trabalhadores que integram a campanha por uma terceira posição. Na declaração apresentada pela campanha, os aderentes denunciam “É falso que este governo está confrontado com ‘os interesses econômicos mais concentrados’ (...) Ao contrário, os Kirchner os têm favorecido em seus quase cinco anos de governo. Ou o petróleo não segue nas mãos da Repsol e de um punhado de empresas mais? (..) Ou os grandes industriais hoje beneficiados com o favor oficial não foram tão golpistas quanto a oligarquia agrária? (...) Ou a terra não segue concentrada em 4.000 grandes proprietários agrários que possuem 85 milhões de hectares, pelas quais pagam impostos miseráveis? Ou 40% da produção de soja não está concentrada em 2,2% dos produtores? Ou não é um fato que cinco grandes empresas (...) concentram a quase totalidade da exportação de grãos que ultrapassam os 3 bilhões de dólares?”.
E em seguida completam “os que aderimos a esta declaração cremos que é necessário sustentar uma clara posição independente destes dois blocos capitalistas (...) Estamos pela nacionalização da grande propriedade agrária, das grandes exportadoras e dos portos privados; pelo não pagamento da dívida externa e nacionalização sob controle dos trabalhadores dos bancos e do comércio exterior. Estas medidas permitiriam acabar com a oligarquia e o espólio das multinacionais e do capital financeiro que fica com a maior parte das exportações agrárias. (...) É preciso que os trabalhadores levantem suas demandas, a começar pelas mais imediatas: aumento de emergência para todos os trabalhadores, salário mínimo equivalente ao custo de uma família, aumento automático dos salários de acordo com o aumento da inflação”.
[Neste excerto está concentrada a posição política do PTS que, na nossa ótica, adotou o posicionamento político mais correto ante a crise]

[1] Por renda diferencial entende-se o volume de renda recebido pelos proprietários de terras de boa qualidade, cujo cultivo necessita de menos investimento e insumos que as terras de má qualidade, mas que recebem o mesmo valor pago pelas mercadorias agrícolas produzidas em qualquer tipo de terra, já que o preço das matérias-primas é fixado internacionalmente e tem como base os custos de cultivo das piores terras. Quando há um aumento da demanda de matérias-primas os agricultores são obrigados a produzir em terras de pior qualidade, o que também pressiona os preços das matérias-primas para cima. Aos proprietários das terras de melhor qualidade acabam detendo assim um excedente, que é a renda diferencial (Para uma discussão mais aprofundada ver “Suplemento Renta y Ganancia – Dos formas de robo capitalista” em www.pts.org.ar)

Sunday, June 22, 2008

Chávez nacionalizou empresa: é o socialismo em marcha?



Chavez nacionalizou uma empresa capitalista (Sidor): estamos em marcha para o socialismo na Venezuela?

[Extraído de entrevista com Claudionor Brandão, militante da LER-QI e diretor, como minoria, do Sindicato de Trabalhadores da USP (Sintusp) ao jornal Palavra Operária ]


"Palavra Operária: Os chavistas dizem que uma das provas do “antiimperialismo” e do “socialismo” de Chávez é que este nacionalizou empresas como a Sidor...
Brandão: Justamente o contrário. A medida de pseudonacionalização da Sidor é conseqüência direta da luta dos trabalhadores siderúrgicos nos últimos meses por melhores condições de trabalho e salário, no bojo da qual uma de suas principais demandas era a reestatização dessa empresa que foi privatizada em 1997. Foi depois de o governo atuar claramente ao lado da patronal transnacional, e após ter enviado a Guarda Nacional para reprimir os operários da Sidor, que Chávez diante da firmeza dos trabalhadores se viu obrigado a adotar a pseudonacionalização. Ou seja, foi um triunfo dos trabalhadores e uma medida que eles arrancaram do governo. Para enganar os trabalhadores, Chávez diz que os patrões da Sidor são “a transnacional capitalista exploradora” e fala em “escravismo”. Entretanto, citemos literalmente as palavras utilizadas por Chávez logo após o anúncio da pseudonacionalização para tranqüilizar os empresários: “Com Rocca [dono da Sidor] somos sócios. Queremos que o grupo Paolo [patrões da Sidor] siga operando na Venezuela. Queremos uma sociedade igualitária.” E assim responderam os patrões: “Desejamos que a Sidor, cuja transição em mãos do Estado já começou, continue o caminho do êxito (...) Nosso compromisso segue firme para contribuir com nosso aporte.” Essa “sociedade igualitária” entre os dois “sócios”, logo após a tão barulhenta “nacionalização”, é na verdade um acordo mediante o qual o governo propõe aos patrões da Sidor que aceitem ficar com 20% das ações, parte da empresa, a comercialização da produção no exterior etc. É isso que explica que os patrões não têm gritado contra o anúncio de Chávez. O próprio decreto de “nacionalização” estabelece que Chávez pagará aos donos da Sidor os melhores preços de mercado pela empresa. Assim, este acordo permitiu que Chávez aparecesse como “nacionalista” e ao mesmo tempo garantiu aos empresários um bom negócio. Um bom exemplo do caráter dessa pseudonacionalização de Chávez é sua política em relação aos trabalhadores terceirizados da Sidor. Aqui no Sintusp uma das principais lutas que travamos contra a reitoria e que foi aprovada em nosso IV Congresso é pelo fim da terceirização, com a incorporação dos terceirizados como trabalhadores efetivos da USP. Pois bem, a “nova” Sidor de Chávez mostra rapidamente seu verdadeiro rosto negando-se a incorporar como trabalhadores efetivos os mais de 9.000 terceirizados, ingressando menos de 1.000 trabalhadores (quando o patrão antes já havia proposto incorporar 600 deles). No convênio coletivo firmado com o sindicato, se mantém as empresas terceirizadas, o que não elimina o problema da terceirização, e se ratifica permitindo que siga a “escravidão” da qual fala o “comandante”. Por isso, os terceirizados da Sidor têm saído à luta por sua incorporação como efetivos da empresa. Vêm se mobilizando contra a empresa e o sindicato, já que a burocracia (ligada ao governo) os deixou de fora apesar de que eles tinham se somado a todos as paralisações anteriores, levantando a consigna “igual trabalho, igual salário”. Frente às mobilizações dos trabalhadores terceirizados para serem incorporados como efetivos, canalhescamente Chávez disse que isso não é possível porque a empresa “quebraria”, e chamou de “contra-revolucionários” os que reivindicam esse direito. Isso não é de se estranhar, pois os funcionários do governo Chávez que antes da “nacionalização” faziam parte da direção da empresa sempre apoiaram sem objeções suas políticas trabalhistas, e jamais denunciaram violações nem maltratos aos direitos trabalhistas e muito menos os danos ambientais. É verdade que o anúncio da “nacionalização” da Sidor por parte de Chávez, como fruto da forte luta levada a cabo pelos trabalhadores siderúrgicos, gerou alegria entre os trabalhadores. Mas é necessário distinguir entre esta alegria operária e o “triunfalismo” de alguns partidos, grupos e dirigentes chavistas que pretendem tomá-lo como ponto de apoio para seguir enganando os trabalhadores com o projeto de “socialismo com empresários” do chavismo".


[Entrevista publicada no jornal Palavra Operária n.42 de 17/6/08]

Wednesday, June 04, 2008

Etanol, grandes corporações e agrocobiça


Etanol, agrocobiça e grandes corporações

É absolutamente urgente e necessária a busca pela energia limpa, pelo biocombustível. Por outro lado é também absolutamente necessário ter claro que os grandes proprietários rurais e as grandes corporações jamais se transformarão no caminho para que se chegue à energia limpa, barata e disponível a toda a sociedade.

Por um momento, vamos considerar o seguinte argumento: a bioenergia sozinha não tem como resolver o atual problema energético do mundo. Se as atuais plantações de milho e de cana de açúcar que são fonte básica do etanol – todas elas somadas – fossem voltadas à produção de etanol, nem de longe cobririam a demanda mundial de combustível (não cobririam sequer um quinto).

Pois bem, qual a reação do agro-negócio diante disso? Em sua sede de lucro – diante da oportunidade aberta pela crise do petróleo – não apenas desviam o máximo de cana de açúcar (e milho) para o etanol, como invadem áreas de plantações de alimentos e florestas virgens.

O resultado: mais devastação e mais carbono na atmosfera (mais efeito estufa) e tendência ao encarecimento do preço dos alimentos. Isso já vem acontecendo.

Da mesma forma já vem acontecendo que grandes corporações do petróleo, automóveis e do agro-negócio estão se lançando com tudo nos lucros do etanol. Daqui a pouco estarão dominando grandes segmentos do setor, inclusive terras e usinas. Vamos pensar nisto sempre levando em conta que não há chance de o capitalismo um dia tornar-se bonzinho, ecológico e preocupado com o bem público. Esperar que os latifundiários e essas multinacionais tornem-se preocupados com preços baratos, qualidade de alimentos ou com meio ambiente mais do que com seus lucros e seu saque é o mesmo que acreditar em saci pererê.

Lula, os Kirchner, terminam funcionando, nesse contexto, como um misto de testas-de-ferro e ilusionistas. Para mudar essa história, os trabalhadores terão que levar adiante uma grande luta, intervir e controlar o setor: essas grandes concentrações de terras privadas e as corporações agro-industriais como Monsanto e outras, teriam que ser confiscadas pelo governo e sua produção finalmente planificada de tal forma que a prioridade passe a ser alimentos bons e baratos (sem transgênicos). O resto é firula.
Ge Dantas





1978-80: PT das origens?
(Começa no Brasil o grande debate
de desmistificação da história oficial petista)

Lula no PT das origens, nos movimentos grevistas do ABC dos quais resultou o PT. Quem era Lula? “No lugar do caudilho espontâneo e ingênuo, saído do seio das massas em estado de puro carisma e combatividade – encontraremos o dirigente sindical saído da estrutura oficial varguista e nunca disposto a romper com ela.
No lugar do mito do grande líder operário que sozinho comandava centenas de milhares na luta direta contra os patrões e a ditadura – encontraremos o burocrata colaboracionista, que usava sua posição dirigente (conquistada pela via dos conchavos no interior do peleguismo, e não pelos “clássicos” meios da insurgência operária) para acomodar, conciliar – e inclusive diretamente para trair as enormes greves que lhe fizeram a fama, como no caso da mais importante delas, a de 1980 [2].
No lugar do PT como coroação “natural” e “legítima” para um ascenso que era cada vez mais político, vemos um instrumento sob medida para, apoiando-se no sincero desejo dos trabalhadores de fazer política, distorcer esse desejo e canalizá-lo unicamente para a “política” da transição negociada e pacífica com a ditadura, para a via morta da democracia dos ricos e suas farsas eleitorais.
No lugar dos “aliados democráticos do proletariado”, vemos que os senhores como Ulysses e Tancredo nada mais foram que políticos ardilosos e matreiros a serviço da classe capitalista, que sob a nebulosa palavra “democracia” escondiam apenas uma nova face –rejuvenescida, é certo, mas nem por isso menos perversa – do capitalismo semicolonial e racista que nos explora e oprime a cada dia.
No lugar de uma transição democrática em que as massas impuseram o seu peso e a sua marca, vemos uma manobra gatopardista que se impôs sobre as massas, desviou e sufocou seu ascenso, que as deixou prostradas e sem saber como e contra quem lutar. A construção de um verdadeiro partido revolucionário passa pela desmistificação da história petista”.
(Fonte: Edison Salles, Jornal Palavra Operária n.41, maio 2008).

Leia a íntegra desse novo enfoque histórico e político na Revista Estratégia Internacional n.3, que pode ser obtida por e-mail: ler-qi@ler-qi.org

Lula um ´estadista´ anti-nacional




Republico aqui trecho da coluna de Fausto Wolff de 29/5/08 (JB), pela lucidez cortante:





Vergonha na cara


"Cristovam Buarque é um intelectual, ex-membro do PT e hoje membro do PDT que, quando em Nova York, ao falar sobre a internacionalização da Amazônia, disse concordar que não só o petróleo, mas todos os minerais do mundo fossem internacionalizados. Ponto para ele, que sabe que sem a Amazônia o Brasil não passaria de um paizeco qualquer, daqueles que têm direito a falar na ONU apenas quando a maioria dos representantes das grandes potências está dormindo.
Os lucros de 31 nacionais e estrangeiros bancos em atividade no Brasil aumentaram, em 2007, para R$ 34,4 bilhões, com crescimento real de 43,3% em relação a 2006, quando tinham atingido R$ 25,05 bilhões. O retorno sobre o patrimônio aumentou de 21,2% para 24,3%.
Os 43,3% de crescimento real daqueles 31 bancos, em que estão incluídos os cinco com maiores lucros, superam o percentual destes, que aumentou 30,6% em 2007, com R$ 27,89 bilhões. De 2005 para 2006, seu aumento real foi 19,73%. No período FHC, os bancos acumularam um crescimento de 11% e os lucros ultrapassaram os 13%. Quando todos acharam que ninguém bateria o príncipe da maldade, surge o sr. Silva e os bancos lucraram 145%.



Que temos então? Uma escalada em aceleração desde o início dos oito anos de FHC, período em que a média de crescimento real foi 11% ao ano, ou seja, acumulou 130%. Nos dois primeiros anos de Lula, a média subiu para 14%. De 2003 a 2007, a média anual de crescimento real desses lucros foi 19,8%, acumulando 147% em apenas cinco anos. Computando os dois períodos, foram 468%, ou seja, os lucros reais multiplicaram-se por quase seis vezes.

Enquanto isso, no mundo real, na terra dos subumanos, em 1998 o paulista, trabalhador mais bem assalariado do Brasil, ganhava pouco mais de R$ 1.600 mensais. Este ano, com todas as demissões, o mesmo trabalhador ganha R$ 1.202 mensais.
Como essa política, segundo Meireles, não mudara, o sr. Silva, se continuar dando gorjetas aos partidos e carta branca para os bancos, se reelegerá quantas vezes quiser, pois o povo não entende de macroeconomia. Ele entende é de Lula, seu irmão operário que lhe dá rações de comida mensalmente.



Ano passado, quando senadores e deputados discutiam um pífio aumento de R$ 5 ou R$ 10 no salário mínimo, o senador Cristovam Buarque deu mancada braba no momento em que alguém ridicularizava a "benfeitoria". Surgiu no plenário bradando que um pão-sanduíche para os para-lamentares não era nada. Brandindo um pão no plenário, disse que a falta daquele pão na mesa do trabalhador significava muito. Troço meio surrealista, como se o aumento que pretendiam dar fosse maior do que a inflação, quando era em verdade muitíssimo menor, pois, como se sabe, temos duas inflações: a oficial e a dos trouxas. O que é isso, senador? Continuamos na época de Jean val Jean?"


Clint Eastwood: dois filmes, duas críticas ao imperialismo


Republicamos aqui uma crítica a dois filmes de Clint Eastwood ambientados na II Guerra Mundial em torno da batalha de Iwo Jima. A crítica é cinematográfica e política ao mesmo tempo. Acerta no alvo. Merece ser lida e discutida.
G.Dantas

A Conquista da Honra e Cartas de Iwo JimaArmas americanas, armas japonesas: ambas contra os trabalhadores


Por Leandro Ventura

"Os dois filmes recentes de Clint Eastwood, A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima mostram duas caras de um mesmo conflito imperialista. Os dois se ambientam na pequena e sulfurosa ilha de Iwo Jima, palco de uma importante batalha na Segunda Guerra Mundial. Cada um dos filmes toma a tarefa de relatar a batalha e o drama pessoal de alguns soldados, A Conquista da Honra, o lado americano, e Cartas de Iwo Jima, o lado japonês.
À parte da bela fotografia (sobretudo no filme japonês) e da edição de som das cenas de batalha (premiada com o Oscar) o filme foi recebido pela crítica norte-americana como bom porém aquém de “O Resgate do Soldado Ryan”. Não é à toa. Aquele filme faz um esforço que beira o absurdo em pintar um rosto humano e caridoso do imperialismo norte-americano em meio ao banho de sangue vivamente representado; já os dois filmes de Eastwood não mostram tamanho banho de sangue, e o “lado humano” se mostra contraditório com a guerra e em certo sentido contra ela. Aí está o nó da questão e parte da riqueza destes filmes para nós que lutamos pela emancipação da humanidade.
A guerra era uma guerra imperialista e portanto contra os trabalhadores
Apesar do esforço sistemático da burguesia e de ideólogos que no fim da contas a ela servem, como o historiador Eric Hobsbawm, que escreveu A Era dos Extremos para demonstrar que a Segunda Guerra Mundial era um conflito entre democracia e fascismo, a verdade vem à tona. Os filmes de Eastwood, querendo ou não, mostram que se tratava de uma luta de interesses de burguesias imperialistas e que para conquistá-los mobilizavam tanto força quanto consenso afim impor sua hegemonia.
No filme do lado americano é desenvolvido o relato dos soldados que ergueram a bandeira americana na ilha, dando origem à famosa foto que se tornou um ícone do triunfo deste imperialismo. Estes soldados são retirados da batalha para fazer um tour pelos Estados Unidos. Ocorrem interessantes cenas onde estrategistas deste imperialismo vêem na foto uma oportunidade para reerguer a guerra, já desgastada, perante a opinião pública, e para arrecadar dinheiro para sustentar a guerra. Os soldados por sua vez oscilavam entre uma alegria com sua fama recém-conquistada e um desajuste em cumprir um papel com o qual discordavam, forçados a sorrir aos burgueses e mostrar heroísmo para coletar dólares para a guerra. A brutalidade do imperialismo “democrático” norte-americano fica ainda mais patente quando um dos soldados, um índio Pima, é ao mesmo tempo erguido como herói e sistematicamente oprimido por ser índio. Para completar, este soldado sofre por ter se tornado um falso herói e vai se tornando alcoólatra, os generais opinam que ele não é digno do uniforme e o retiram da campanha interna, para... reenviá-lo ao front. Ou seja, ele não era bom para o tour, mas servia para ser “bucha de canhão”!
Ao contrário do americano que mostra mais consenso, o filme japonês mostra com maior riqueza a força para impor a hegemonia. É rico em mostrar as duas caras que os soldados são forçados a ter, a mudança no tom de voz e nas opiniões na frente dos superiores e em suas conversas de canto. As constantes ameaças de punições físicas e de execuções. Uma das principais personagens deste filme chega perto de esboçar uma política para se retirar da guerra, argumenta que pouco importava a ilha e que o melhor seria entregá-la aos americanos e voltar para casa, esta personagem e outras chegam inclusive a dar algumas mostras de solidariedade com os soldados norte-americanos. Esta passagem do filme mostra como havia bases para a política dos revolucionários em um conflito como este, voltar as armas contra os generais e a burguesia se solidarizando com os soldados do outro lado para que fizessem o mesmo. Porém, não é isto que prima no filme, o que prima é a brutalidade. A brutalidade dos generais e suas punições, a brutalidade de uma polícia ideológica do imperialismo japonês e o ódio dos operários e dos pequenos-burgueses contra estes opressores, e ainda a arcaica opressão ao indivíduo e o suicídio forçado em nome da honra.
Estes filmes são mostra da crueza dos dramas pessoais que num tempo de guerras e revoluções são dramas sociais, na ausência de saídas revolucionárias. Os filmes são uma mostra das convulsões psicológicas e sociais na metade do caminho entre a defesa de seu próprio imperialismo e a situação retratada por uma safra de filmes onde o movimento de massas está numa ofensiva e a única alternativa é sair da guerra. Sintomáticos da atual situação do imperialismo norte-americano atolado no Iraque e no Afeganistão, mas ainda sem um movimento de massas que dê as cartas do jogo, ficam na terra de ninguém das trincheiras, que no fim das contas são de classe: ou se apóia a guerra imperialista e seu uso dos trabalhadores e da população como bucha de canhão, ou se defende que as armas devem se voltar contra os generais e os burgueses".


[Publicado no jornal Palavra Operária n.29, março 2007. Autor: Leandro Ventura]

Tuesday, June 03, 2008

Obama e Hillary: mal menor ou mal maior?



Obama ou Hillary? Nenhum dos dois significa qualquer mudança de fundo na política norte-americana. Obama é parte da plutocracia que governa o imperialismo norte-americano e que imagina uma alternância democrata frente à falência e a impopularidade da administração do republicano W.Bush.

Atolado no Oriente Médio, questionado por líderes de países menores como Venezuela, Irã e com o agravamento do quadro de desamparo social interno (Estados Unidos), W.Bush nunca foi tão impopular. Parte da elite imperialista quer mudar - eleitoralmente - para se contrapor ao declínio de certas posições internacionais dos EUA, em que pese sua força militar e como potência imperialista de primeira ordem.

Trabalhadores, negros pobres e jovens que se iludirem com os falsos ventos de mudança de Barack Obama vão amargar crise depois. É preciso lutar por uma nova política - a partir dos trabalhadores e com independência em relação à democracia dos ricos - o resto é a sempre renovada ideologia do "mal menor".


G.Dantas